Depois de Memorial do convento o memorial do lamento: morre o grande José Saramago

                                        
            "há coisas que nunca se poderão explicar por palavras"
                       A morte dele, por exemplo...


    Hoje, ainda na correira do dia, do labor das pessoas a notícia chegou: perdemos um grande homem, sobretudo isso. Perdemos o primeiro Nobel da Língua Portuguesa.


       José Saramago, filho de analfabetos, nasceu em Azinhaga. A sua obra possui um histórico sem precedência. Como não refletir ao ler "Ensaio sobre a cegueira"? Disse ele uma vez numa entrevista que jantava num restaurante e ao olhar pra fora viu que as pessoas são cegas, não enxergam umas às outras. E foi desenvolvendo esse pensamento que se tornou o primeiro Prêmio Nobel da Língua Portuguesa com o romance que foi versificado pro cinema e dirigido pelo brasileiro Fernando Meireles.
     Quase nada mais pra falar. O poema é mudo. Palavras são poucas diante de tanta perda. Um homem de tantas visões, muito além de cegueiras. Foi assim que mudou a estrutura sintática do que escrevia a tal ponto de deixar de usar travessão, e algumas vezes usar de menos pontos e vírgulas. Grande poeta, ademais.
    Foi Memorial do Convento, o que primeiro lhe li.


    Hoje, num dia qualquer, ninguém sabe por que, perdemos Saramago pra história, essa megera. Os livros noticiarão aos nossos netos: alguém escreveu sobre cegueiras.


   Adeus, Saramago. Sentimos muito, falantes e leitores das línguas Português do Brasil e de Portugal!
   Dorme mais um anjo torto!










"A raça é um signo duplo, cujo significante aponta para dois significados: opressão e resistência"

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